sábado, 14 de abril de 2012

Reflexões (alguns princípios... utilização de um texto...)

Penso em poder utilizar o texto durante o contato improvisação... pode ser uma poesia ou mesmo um diálogo, porém sem precisar tornar o movimento fragmentado. Penso em unir o movimento e a fala juntos. As pausas de um ou de outro podem ocorrer, mas não necessariamente preciso parar ao falar, ou vice-versa!
Também já falamos em aula sobre um princípio importante no contato: Quando um corpo desce o outro sobe. Ao assistir essa performance, penso que quando o centro do corpo tem impulso de subir, o corpo se torna mais leve. Na oficina, tivemos uma aula praticamente destinada a exploração desse princípio. Outro princípio é o de transferência do peso (centro sobre centro), buscando encaixes, pontos de apoio, etc!

Pensei isso assistindo a um vídeo "Contat Improvisation in Performance "com Andrew Harwood, Jacob Lehrer, Judit Keri, David Corbet with musicians Rae Howell and Alies Sluiter.



Dentro/Fora

Estamos passando a uma nova fase do trabalho. A partir de agora as aulas da segunda e terça serão destinadas a criação e composição de um trabalho, baseado no que as palavras "dentro" e "fora". O que elas nos causam e como a interpretamos, e eles servirão como estímulo a nossa imaginação. Boa viagem!!!!

Materialidades

Siga o movimento do colega para deslocar-se... siga o mestre! Houve momentos preciosos nesse aquecimento. A sala ficou cheia. Depois disso, partimos para uma improvisação individual com objetos (cubos, cadeiras). Nessa improvisação, utilizamos o objeto com ponto de contato e podíamos explorá-lo da forma que melhor nos parecesse, utilizando diferentes pontos de equilíbrio e maneiras de criar contato com esse objeto. De fundo havia uma música de Yann Tiersen. Pra mim, eu senti o objeto como um amigo de criação e tinha que descobrir como utilizá-lo, acariciá-lo, com o mesmo carinho e respeito. Como havíamos organizado a turma em dois grupos, os primeiros que improvisaram tinham que observar o outro grupo. Esse passagem para o lugar de observador permite uma compreensão de potencialidades de caminhos a explorar. Enquanto observava pensava em "eu deveria ter feito isso" ou "na próxima vez vou experimentar isso". Aos meus olhos a sala estava muito alegre e colorida.

Em seguida, unimos os dois grupos, colocando dois colegas para explorar um único objeto. Como estávamos em número impar, o meu grupo ficou com três pessoas. No início, tínhamos tendência em utilizar o objeto como companheiro, mas conforme a improvisação se desenvolver os corpos dos colegas também eram potencialidades de exploração. Penso até que isso deixou-nos livres para ir e voltar a cada corpo, sem a necessidade de estarmos sempre em contato. O contato nascia de forma espontânea entre os seres dançantes. Ressalto também como é bom encontrar o olhar do parceiro. O olhar se torna muito forte quando estamos improvisando e através dele tenho tendencia em desenvolver pequenas fragmentos de narrativas. No meu caso, como estudante de teatro, o contato é uma ótima maneira de estabelecermos relações verdadeiras.

Penso que fazer contato improvisação e também deixar surgir um espaço de carinho entre o nosso partner. É uma dança muito intima e por isso talvez tão sedutora para quem a pratica. Digo pra quem a pratica porque, penso que a sensação de praticante é muito mais interessante de quem apenas a contempla.

Corpos em sintonia

Na prática de contato improvisação pude perceber a diferença da dança quando ela pode ser experimentada com outro corpo que seja compatível ao nosso. Claro que a compatibilidade depende muito de uma sintonia criada entre os parceiros de dança... um confiar na proposta do outro! Deixar-se ir. Mas por outro lado, quando os corpos se aproximam em sua estrutura, já existe uma naturalidade de surgimento de movimentos. Senti que arriscamos bastante, e tivemos vários momentos em que simplesmente estávamos ali, nos divertindo, rindo dos quase "acidentes" durante as quedas ou descidas! Essa prática, a que me refiro, aconteceu dia 30/03 e acredito que houve um salto qualitativo em vivência da técnica do contato no meu corpo. Também venho percebendo isso na turma toda... Sentimo-nos mais a vontade para dançar, tocar, rolar, escorregar sobre os companheiros de dança e viagem.