Siga o movimento do colega para deslocar-se... siga o mestre! Houve momentos preciosos nesse aquecimento. A sala ficou cheia. Depois disso, partimos para uma improvisação individual com objetos (cubos, cadeiras). Nessa improvisação, utilizamos o objeto com ponto de contato e podíamos explorá-lo da forma que melhor nos parecesse, utilizando diferentes pontos de equilíbrio e maneiras de criar contato com esse objeto. De fundo havia uma música de Yann Tiersen. Pra mim, eu senti o objeto como um amigo de criação e tinha que descobrir como utilizá-lo, acariciá-lo, com o mesmo carinho e respeito. Como havíamos organizado a turma em dois grupos, os primeiros que improvisaram tinham que observar o outro grupo. Esse passagem para o lugar de observador permite uma compreensão de potencialidades de caminhos a explorar. Enquanto observava pensava em "eu deveria ter feito isso" ou "na próxima vez vou experimentar isso". Aos meus olhos a sala estava muito alegre e colorida.
Em seguida, unimos os dois grupos, colocando dois colegas para explorar um único objeto. Como estávamos em número impar, o meu grupo ficou com três pessoas. No início, tínhamos tendência em utilizar o objeto como companheiro, mas conforme a improvisação se desenvolver os corpos dos colegas também eram potencialidades de exploração. Penso até que isso deixou-nos livres para ir e voltar a cada corpo, sem a necessidade de estarmos sempre em contato. O contato nascia de forma espontânea entre os seres dançantes. Ressalto também como é bom encontrar o olhar do parceiro. O olhar se torna muito forte quando estamos improvisando e através dele tenho tendencia em desenvolver pequenas fragmentos de narrativas. No meu caso, como estudante de teatro, o contato é uma ótima maneira de estabelecermos relações verdadeiras.
Penso que fazer contato improvisação e também deixar surgir um espaço de carinho entre o nosso partner. É uma dança muito intima e por isso talvez tão sedutora para quem a pratica. Digo pra quem a pratica porque, penso que a sensação de praticante é muito mais interessante de quem apenas a contempla.
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