quinta-feira, 22 de março de 2012

Deslocamentos em contato

Na manhã de sexta, com a Rita, após algum aquecimento individual conduzido por ela, passamos a trabalhar em duplas. A ideia era que atravessássemos a sala, puxando e se deixando puxar! Era um diálogo onde teríamos espaço para propor, mas também para saber ceder... O contato improvisação, é lindo porque é uma metáfora da vida. Nele nos manifestamos como no dia a dia... podemos ser rígidos ou flexíveis. Porém, vale prestar atenção as nossas limitações ou maneiras de comportamento que são recorrentes, sabendo a hora de falar e a hora de ouvir. Estava eu mantendo esse diálogo com a Tícia (tivemos bastante afinidade nesse trabalho de contato), acredito que falamos e ouvimos um ao outro através do toque bem sensivelmente. Com três pessoas a dificuldade aumentou. Sempre parece ser difícil improvisar em três... talvez por isso as relações mais aceitáveis sejam as bigâmicas. Há sempre a tendencia de um terceiro elemento ficar de fora da relação. De certa forma, isso não foi uma regra aqui. Não lembro quem foi a pessoa que passou a integrar a minha relação com a Tícia, porém fomos um triangulo bem aceitável. Em grupo é um deus nos acuda! Ainda existe muita insegurança e medo de soltar o peso sobre o outro. Isso é completamente normal, pois não estamos acostumados a nos entregar ao outro intensamente. Pra mim o contato é se entregar, ao outro e a si mesmo. Se entregar ao toque, ao calor dos corpos, aos suores. Improvisamos novamente em duplas, buscando essas maneiras de deslocamentos através do puxar e ser puxado, do ir e deixar-se ir! Nesses momentos sinto que meu corpo fica muito contente. Eu sinto uma liberdade que não pode ser posta em palavras. É como se minha pele abrisse e meus poros permitissem que o outro pudesse fazer parte de mim... não apenas o outro, mas também o espaço, os objetos que estão ao alcance da visão. Sinto que surgem muitas imagens! Não penso nas imagens, não peço que elas venham, mas elas aparecem. A sensação é parecida quando estamos com muito frio nos pés, e de repente colocamos eles num local iluminado pelo sol. Gosto muito das músicas intercaladas com os momentos de silêncio, apesar de não existir silêncio. Acho que é isso por hoje.

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