segunda-feira, 26 de março de 2012

Outros Sentidos

Tivemos uma aula sem utilizarmos a visão... isso permite que outros sentidos nos pareçam ressaltados. Trabalhamos em duplas, um era o condutor (olhos abertos) e o outro o conduzido (olhos fechados). Como pedido, inicialmente, pelo tato sentíamos as diferentes texturas dos objetos da sala. Ao conduzir, o desejo é de permitir ao outro o maior número de sensações diferentes. O cuidado com o outro se torna um elemento fundamental nesse tipo de trabalho. Mas como estamos nos caminhos da arte, o cuidado não deve anular a dose de risco que precisamos correr. Não risco físico. Digo risco no sentido de uma provocação que nos seja colocado, etc. Às vezes, percebo que para algumas pessoas é muito difícil sair da sua área de conforto... Por isso, esse trabalho é tão importante, para que possamos ir ganhando confiança no outro e, principalmente, em nós mesmos. Sem julgamentos e/ou críticas morais. Colocarmos-nos disponíveis para o inesperado. Esse era meu desejo, quando guiava. Quando fui o guiado, quis deixar me contaminar com cada elemento: sons, temperaturas e texturas. Foram momentos que me fizeram vivenciar diferentes sensações... lembro de subir a uma corda, andar de cadeira com rodinhas (isso era muito bom, pois o ar podia ser sentido na pele, quando a velocidade era maior). Pude também perceber melhor o peso do corpo e o deixar-se estar, aproveitado o toque dos meu pés no solo quando passava por uma área mais quente, talvez porque o sol estivesse iluminando essa parte, etc. O tentar localizar-se no espaço também era um fator que me provocava. Tive algumas lembranças da infância... não de algum fato em específico, mas havia certo perfume e clima que me remetiam a essa época remota! Ir e voltar a nós mesmos pode ser um local para retirarmos inspiração!!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário